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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

DC Comics republica as últimas HQs do Spirit de Will Eisner


Autores: Will Eisner, Jules Feiffer

Editora: DC Comics

Ano de Edição: 2009

256 páginas

The Spirit Archives é uma série de coletâneas lançadas pela DC Comics que apresentam, em ordem cronológica, as HQs do famoso herói criado por Will Eisner em 1940.

O Volume 26 da série traz as poucas HQs do Spirit feitas por Eisner após o cancelamento da Spirit Section, o caderno de quadrinhos onde suas aventuras foram publicadas semanalmente até 5 de Outubro de 1952. No início dos anos 1950, Eisner já havia deixado praticamente todo o processo de criação dos quadrinhos do personagem nas mãos de seus assistentes.

A primeira HQ da coletânea é apenas um esboço de uma história que deveria ser publicada em 12 de Outubro de 1952, mas nunca foi terminada. Com texto e arte de Jules Feiffer, Flying Saucer (Outer Space), que também aparece no livro Quadrinhos e Arte Seqüencial, é divertida e mostra a competência de Feiffer, mas não está entre suas melhores obras.

Spirit só voltaria a ter uma nova HQ publicada em 1966, no periódico The New York Herald Tribune Sunday Magazine. Com roteiro e arte de Eisner, a HQ mostra Spirit contracenando com personagens reais- os candidatos de 1965 a prefeito de Nova Iorque.

O primeiro gibi a republicar os antigos quadrinhos do Spirit, foi lançado pela Harvey Comics em Outubro de 1966 e teve apenas duas edições. Para cada uma dessas edições, Eisner criou uma nova aventura de seu herói, mas nada muito memorável.

Em 1973 houve outra tentativa de republicar as clássicas aventuras do Spirit, agora pela editora Kitchen Sink Enterprises. Novamente foram apenas duas edições, para as quais Eisner concebeu algumas novas páginas de HQ sem muita relevância. Bem mais interessantes foram as capas criadas pelo artista, uma delas bem picante.


Após uma breve passagem pela editora Warren, The Spirit voltaria em 1977 para a Kitchen Sink, que relançaria, em ordem cronológica, todas as HQs do herói originalmente publicadas entre 1946 e 1952.
Nos anos 1980, seria publicada The Spirit Jam, uma HQ feita com a contribuição de cinqüenta artistas, entre os quais Milton Caniff, Harvey Kurtzman, Frank Miller, Bill Sienkiewiwicz e o próprio Will Eisner. Por mais incrível que pareça, das 36 páginas da HQ, apenas as três desenhadas por Eisner estão presentes na coletânea da DC, deixando uma lastimável lacuna.

Em 1984, Spirit apareceria em um gibi do personagem Cerebus, criado por Dave Sim. Nessa história, Eisner não participou do roteiro. Apenas desenhou seus personagens em algumas páginas.

Eisner só voltaria a fazer uma HQ do Spirit no século XXI - uma história cômica, publicada em 2005, no sexto número do gibi The Amazing Adventures of Kavalier & Clay. Spirit contracena com o Escapista, e em um diálogo breve, mas revelador, o papel dos heróis na sociedade é reduzido a “soluções instantâneas e finais felizes”. Obviamente Eisner há muito perdera o interesse por histórias de heróis. Desde a década de 1950 preferiu explorar as possibilidades dos quadrinhos educacionais, e, posteriormente, das novelas gráficas.


Por abranger um período em que Eisner já não mais se interessava por seu grande herói, The Spirit Archives Volume 26 decepciona como coletânea de quadrinhos. O trunfo do livro é reunir uma quantidade enorme de artes criadas por Eisner para as capas das reedições dos gibis do Spirit, além de reproduzir as pinturas e esboços feitos para The Spirit Portfólio, uma coleção rara, originalmente lançada nos anos 1970. Mas nem a ótima arte de Eisner justifica o preço do livro: US$59,99. Para que se tenha uma idéia do tamanho da facada, Strange Suspense – The Steve Ditko Archives, publicado pela Fantagraphics Books, com aproximadamente as mesmas dimensões e número de páginas, custa US$39,99.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Smithsonian Book of Comic- Book Comics



Autores: Vários
Editores: Michael Barrier e Martin Williams
Ano de Edição: 1981
Editora: Smithsonian Institution Press
336 pág.

O mercado americano de quadrinhos vem sendo inundado de coletâneas de personagens clássicos, desde os mais famosos até os mais obscuros. É difícil dizer se as editoras brasileiras seguirão essa tendência, mas é um momento oportuno pra comentar esta ótima coletânea.

A edição é luxuosa, com capa dura, sobrecapa e miolo em papel sulfite de alta gramatura. A impressão é magnífica: nada daquela tenebrosa recolorização feita por computador, com a qual tanto Marvel quanto DC vem republicando seus clássicos. Os editores do Smithsonian optaram simplesmente por escanear os antigos gibis, mantendo os ocasionais defeitos de impressão e até o tom envelhecido das páginas. Tem-se a sensação de estar folheando as revistas originais, e as cores, por mais simples que sejam, combinam com os desenhos.

Se a edição já é muito boa, a variedade e qualidade das histórias escolhidas são impressionantes. Como diz o título do livro, trata-se de uma coletânea de comic-books (gibis seria a tradução mais adequada?) abrangendo o período de 1938 a 1955. Um texto introdutório explica como surgiram os comic-books. Antes de cada história também há um breve texto apresentando personagens e autores.

As duas primeiras histórias não são grande novidade para os leitores brasileiros: as primeiras aparições de Superman, em 1938, e Batman, em 1939 (em Action Comics No. 1 e Detective Comics No. 27, respectivamente). Mas logo na terceira HQ, Scribbly, de Sheldon Mayer, aparece a que talvez seja a primeira paródia de um super-herói, publicada em 1940!

Em seguida temos a origem do Plastic Man do grande Jack Cole, um considerável salto qualitativo em matéria de super-heróis.

Captain Marvel Battles the Plot Against the Universe, escrita por Otto Binder, mostra uma longa aventura do herói, equilibrando aventura e humor, bem adaptado ao público infantil.
Powerhouse Pepper de Basil Wolverton já apresentava nos anos 40 o mesmo tipo de humor absurdo que faria a fama da revista MAD nos anos 50.


Geroge Carlson comparece com seus contos de fada surreais, repletos de trocadilhos e piadas visuais.

A fase de Little Lulu escrita por John Stanley finalmente está sendo relançada com as cores originais pela Dark Horse. Nesta coletânea aparecem quatro dessas histórias geniais.

Carl Barks mostra sua arte e roteiro impecáveis em uma história natalina de 1949; mas o que vem em seguida é a parte mais extraordinária do livro, começando pelo Pogo de Walt Kelly, mostrado em sua primeira aparição, na revista Animal Comics No.1 de 1942, e depois já com seu visual definitivo, nos anos 50, com o humor e a inteligência que o tornariam clássico.




The Spirit, de Will Eisner, era publicado em jornais, mas na forma de um comic-book encartado. As três histórias apresentadas nesta coletânea são magníficas, mas deve-se destacar a obra-prima sobre Gerhard Shnoble, o homem que podia voar.

A parte final do livro é dedicada à editora E.C., começando com duas narrativas de guerra escritas e desenhadas por Harvey Kurtzman. Corpse on the Imjin, a mais surpreendente, mostra com realismo e crueza a luta corpo-a-corpo entre dois soldados. Não há nenhum sinal de heroísmo, não é o bem lutando contra o mal; para que um homem sobreviva é preciso que seu oponente seja morto. Todos os quadros da última página são usados para mostrar apenas um personagem: o soldado derrotado, cujo cadáver vai sendo lentamente levado pela correnteza do rio.

O lado cômico de Kurtzman também aparece em duas hilárias histórias retiradas da revista MAD.

Encerrando o livro, temos Master Race, de Bernard Kriegstein, um dos desenhistas mais inovadores da E.C., com seu traço sombrio e seu modo peculiar de desenhar objetos em movimento.



Mesmo se comparada com coletâneas mais recentes, esta é uma das melhores e mais abrangentes. Infelizmente está fora de catálogo há muito tempo, e é praticamente desconhecida no Brasil.