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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eles estão chegando! Dinosaur Jr- discografia básica


Quando um tiozinho de longos cabelos brancos subir ao palco do Comitê Club, em São Paulo, e apoiar uma guitarra sobre sua barriga saliente, não ria. Trata-se de J. Mascis, vocalista e guitarrista do Dinosaur Jr, uma lenda do rock alternativo, o cara que gravou algumas das canções mais barulhentas dos anos 80, foi reverenciado por bandas grunge e shoegazer e recusou ter um disco produzido por David Bowie. O Dinosaur Jr vem tocar no Brasil com sua formação original, que além de Mascis traz Lou Barlow no baixo e vocais, e Murph na bateria.


You´re Living All Over Me -1987

Depois de um primeiro disco confuso e pouco memorável, o Dinosaur Jr lançou este álbum, que muitos consideram sua obra-prima. Logo na primeira música, Little Fury Things, a banda mostra o que a tornava especial: uma introdução barulhenta seguida de uma passagem calma e melodiosa, sobre a qual Mascis canta preguiçosamente. No final entra uma guitarra tão distorcida que soa como uma serra elétrica, e a canção termina com alfinetadas de microfonia. As mudanças de velocidade, e a alternância entre passagens calmas e barulhentas, na mesma canção, se tornariam marcas registradas do Dinosaur Jr, antes de serem popularizadas por bandas como Pixies, Nirvana e tantas outras.
Em The Lung e In a Jar, a banda mostra seu lado punk mais melódico, quase pop. Lose, composta por Lou Barlow, segue na mesma linha, lembrando um pouco Husker Du, com solos descontrolados e abrasivos. No meio da acelerada Kracked explode um furioso solo de guitarra que parece saído diretamente do primeiro disco dos Stooges. Raisans antecipa a sonoridade que o Sonic Youth apresentaria em Daydream Nation e Goo. Poledo é a única canção acústica do disco. Também é a mais estranha e experimental.  Composta por Lou Barlow, que canta e toca ukulele. Cheia de efeitos eletrônicos e mudanças de andamento, lembra Sebadoh, a banda que Barlow formaria após sair do Dinosaur Jr.


Bug – 1988

A banda abandona as experimentações e busca o equilíbrio entre melodia e barulho. As músicas parecem mais tradicionais e fica mais clara a influência do rock clássico de conjuntos dos anos 60 e 70, como Stones, Creedence e Buffalo Springfield.
Freak Scene é o destaque do disco, com sua melodia empolgante, o som das guitarras mudando de cristalino para barulhento com incrível naturalidade e perfeição e os solos de guitarra irretocáveis de Mascis.
Freak Scene tornou-se um hit nas rádios alternativas britânicas e Bug atingiu o primeiro lugar na lista britânica de discos independentes mais vendidos. Apesar do sucesso comercial, a tensão que existia entre os membros da banda aumentou. Mascis era tão controlador que além de produzir o disco e compor todas as canções, definiu exatamente como Murph deveria tocar a bateria.
Mascis só não canta em Don´t, que remete ao primeiro disco, com um turbilhão de guitarras barulhentas a la Stooges, baixo distorcido e os vocais berrados de Lou Barlou.


Green Mind – 1991

Durante a turnê de Bug, em 89, Mascis toma o controle total da banda e expulsa Lou Barlow. O baixista passaria a se dedicar a seus projetos paralelos, como o Sebadoh, que com o tempo se tornaria uma das mais cultuadas bandas da cena alternativa norte-americana.
Praticamente um trabalho solo de Mascis, Green Mind foi gravado quase inteiramente com músicos convidados. Murph, o baterista original do Dinosaur Jr toca em apenas três músicas. Mascis novamente produz o disco e compõe todas as canções.
É o disco mais acessível da banda, com uma sonoridade quase folk rock. O som das guitarras está mais baixo e menos distorcido. Violões são audíveis em quase todas as faixas. O clima geral é bem mais calmo que o dos discos anteriores. Apenas How´d You Pin That One On Me tem um espírito mais punk.
Até 1997 Mascis gravou mais três discos usando o nome Dinosaur Jr, sem a participação de nenhum outro membro original da banda. A partir de 1999 passaria a lançar discos sob o nome J Mascis and the Fog.


Farm – 2009

A formação original da banda voltou a se reunir em 2005 para uma série de shows. Em 2007 gravaram o disco Beyound, bem recebido pela crítica, mas foi com este Farm que o Dinosaur Jr voltou com força total. A fúria das músicas dos anos 80 ficou para trás, mas a banda consegue manter o equilíbrio entre as guitarras pesadas e canções pop, rock alternativo e tradicional, que havia em Bug.
Friends lembra o punk melódico que o Replacements fazia nos anos 80. See You é o tipo de pop rock agridoce que o Lemonheads adoraria ter composto. Lou Barlow volta a compor e cantar em duas músicas que fariam bonito em qualquer disco do Sebadoh, e dão certa variedade sonora ao álbum.
O que era ousado nos anos 80, hoje pode soar ultrapassado. Mas não se deixe enganar; ao vivo, o tiozinho Mascis costuma aumentar o volume da guitarra e fazer uma barulheira dos diabos.

Além dos shows em São Paulo, no Comitê Club, dias 28 e 29 de Setembro, a banda também tocará em Recife, dia 25, no festival No Ar Coquetel Molotov.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Eles estão chegando! Pixies – discografia básica


Dia 11 de Outubro a cultuada banda Pixies será uma das principais atrações do festival SWU, que acontecerá em Itu, interior de SP. O conjunto se apresentará com sua formação original: Black Francis (guitarra e vocais), Kim Deal (baixo e vocais), Joey Santiago (guitarra) e David Lovering (bateria). Embora tenha lançado seu último álbum de estúdio em 1991, o grupo ocasionalmente se reúne para fazer turnês e tocar em festivais.

O Pixies foi uma das bandas mais importantes e influentes do rock alternativo dos anos 80 e 90. Além dos discos comentados abaixo, lançaram várias coletâneas e caixas com gravações ao vivo, versões alternativas e demos.


Come on Pilgrim (1987)

O primeiro disco dos Pixies foi este EP, curto, mas impressionante. A banda mostra um rock enérgico e estranho, com influências de punk, folk e bandas como Gun Club e Captain Beefheart.

As guitarras aparecem em primeiro plano, com os solos precisos e econômicos de Joey Santiago. As canções lembram um pouco outra banda da época, o Throwing Muses.

Os vocais de Black Francis são versáteis e poderosos. Suas letras obscuras sugerem cenas de incesto, violência e referências bíblicas. Algumas canções são cantadas em espanhol (Black Francis morou em Porto Rico).

Era um início promissor.


Surfer Rosa (1988)

Bone Machine, a primeira música do disco, parece uma continuação de Come on Pilgrim, mas a bateria soa mais pesada e as guitarras mais abrasivas.

Nas canções seguintes, a atuação do produtor Steve Albini fica mais evidente. As guitarras estão muito mais barulhentas que no disco anterior, construindo uma muralha de ruído que encobre as canções melodiosas. Em Broken Face e Oh My Golly!, por exemplo, surf music e hardcore colidem furiosamente, mas o álbum também possui momentos mais calmos e acústicos.

Gigantic é a única faixa na qual a baixista Kim Deal assume os vocais principais. A música alterna momentos calmos e barulhentos, característica comum a várias canções da banda, e que seria uma influência direta na criação de Smells Like Teen Spirit, do Nirvana. Curiosamente os vocais de Gigantic foram gravados no banheiro do estúdio, pois o produtor não gostava da acústica da sala de gravação.

Os vocais de Black Francis soam mais dementes que nunca: ele resmunga, grita furiosamente, produz sons estranhos e até, pasmem, canta tranquilamente em algumas músicas.

É um dos clássicos da banda, e seu disco mais brutal e caótico. Em algumas edições de Surfer Rosa em CD, Come on Pilgrim vem incluído como bônus.


Doolittle (1989)

Provavelmente o maior sucesso comercial do Pixies, produzido por Gil Norton, que substituiu o barulho do álbum anterior por um som mais limpo e sofisticado, incluindo arranjos de cordas em Monkey Gone to Heaven. A variedade de estilos das canções é maior que nos discos anteriores. Há músicas lentas e sombrias, punk rock acelerado, canções pop, folk, reggae, surf music, baladas românticas hilárias e sérias.

Debaser, a música arrebatadora que abre o álbum, deixa clara a influência do movimento artístico surrealista sobre as letras de Francis. A canção é uma homenagem ao filme Um Cão Andaluz, dirigido por Luis Buñuel e Salvador Dalí.

Here Comes Your Man é uma das criações mais pop do Pixies, tão pop que a banda não queria gravá-la, mas acabaram cedendo devido à insistência do produtor. A canção foi o segundo single do álbum, e logo se tornou um hit nas rádios universitárias norte-americanas.

Doolittle é o outro clássico do Pixies, mais pop, mas ainda estranho e provocador.


Bossanova (1990)

Tentativa de repetir o sucesso do disco anterior, novamente com produção luxuosa de Gil Norton, mas o resultado ficou muito irregular.

A banda, que passava por conflitos internos, soa desanimada e repetitiva. Sobressaem-se sombrias canções surf como Ana, Havalina e principalmente Velouria, além do rock pop de Dig for Fire e Allison.

Antes do lançamento do disco, Black Francis disse em algumas entrevistas que este seria um álbum de Heavy Metal. Os fãs ficaram meio preocupados: um disco da Heavy Metal? E o nome é Bossa Nova?? Mas tudo não passava de uma brincadeira de Francis, claro.


Trompe le Monde (1991)

O último disco de estúdio da banda, que não conseguira superar as desavenças internas, é quase um álbum solo de Black Francis. Voltam à cena as guitarras pesadas e canções melódicas. A novidade é o uso de sintetizadores em algumas músicas.

As letras delirantes de Francis homenageiam filmes B de ficção científica e temas mitológicos.

Nem tudo funciona bem no álbum, mas a divertida barulheira de Planet of Sound e a cover furiosa de Head On (do Jesus and Mary Chain) estão entre as melhores gravações da banda.