segunda-feira, 4 de julho de 2011

Autores de quadrinhos alternativos em coletânea da Marvel




Strange Tales II é uma coletânea de HQs criadas por autores de quadrinhos alternativos, utilizando heróis e vilões da editora Marvel. São 34 artistas de estilos distintos e com total liberdade para fazer o que quiserem com os personagens da editora.

Dois autores brasileiros participam da coletânea: Rafael Grampá apresenta um Wolverine extremamente violento, mas que se mostra sensível e vulnerável por um instante. A técnica narrativa da HQ é bem eficiente e a qualidade da arte está muito acima do que se costuma ver em quadrinhos de super-heróis. Grampá seria muito bem sucedido trabalhando em qualquer um dos principais títulos da Marvel, mas neste volume talvez esteja um pouco deslocado. Seu estilo é tradicional demais para uma coletânea que se propõe de quadrinhos alternativos ou underground. Eduardo Medeiros, o outro brasileiro em Strange Tales II, também se sai muito bem, com um estilo de desenho simples e divertido.

Gene Yang, autor de O Chinês Americano, apesar de não ter um traço muito original, fez uma das HQs mais divertidas do livro, criando um herói que usa sua incrível falta de habilidade como uma arma para vencer os vilões.

Os irmãos Gilbert e Jaime Hernandez, criadores da revista Love and Rockets, optaram por homenagear as clássicas e ingênuas aventuras dos primórdios da Marvel. Na HQ de Gilbert vemos o Homem de Ferro usando seu primeiro uniforme (aquele que parecia um robô dourando), contracenando com Toro (parceiro do Tocha Humana nos anos 1940) e O Líder (antigo inimigo do Hulk). Os desenhos de Gilbert, mais claros e precisos que de costume, combinados com as cores escolhidas por Jim Campbell, resultam em uma das mais belas artes da coletânea. Jaime, desenhista de traços perfeitos, narra as hilárias trapalhadas de um vilão que tenta a todo custo entrar de penetra em uma festa de super-heroínas.



Tony Millionaire, autor das tiras Maakies, coloca Thor trabalhando como vendedor em uma barraca de parque de diversões. O enredo de sua HQ é absurdo e engraçado, com um tipo de humor que remete mais aos filmes do Monty Python que a uma aventura de super-heróis. Seus desenhos retorcidos parecem querer ocupar cada milímetro dos quadrinhos, e seu uso ostensivo de hachuras faz cada página parecer uma delirante combinação de gravuras antigas com arte pop. Mais uma vez as cores de Jim Campbell complementam a arte com perfeição.


Outros autores, como Dash Shaw, Kate Beaton e Jeffrey Brown participam com histórias interessantes, mas a quantidade de autores inexpressivos e histórias medíocres presentes na coletânea é grande, e acaba baixando consideravelmente a qualidade geral da obra.

Outra característica negativa é o pouco espaço reservado para cada HQ. No volume anterior de Strange Tales foram incluídas duas ótimas histórias escritas por Peter Bagge, cada uma com 24 páginas. Parecia um sinal de que a editora Marvel se arriscaria a investir em obras que fugiam dos clichês das histórias de super-heróis. Nesse aspecto, Strange Tales II é um retrocesso. A maioria das HQs deste novo volume possui entre 2 e 6 páginas, muito pouco para que se desenvolvam idéias mais elaboradas. Os autores devem ter adorado a oportunidade de ganhar algum dinheiro homenageando ou satirizando super heróis, mas o livro está longe de mostrar o potencial dos quadrinhos underground. Proporciona uma leitura divertida, mas bem ligeira, do tipo que não fica muito tempo na memória. Quem quiser ler boas HQs alternativas deve procurar obras mais extensas, como Mundo Fantasma, Love and Rockets New Stories n.3 e Acme Novelty  Library 20. Ou buscar nos sebos a ótima coletânea Comic Book, lançada aqui no Brasil pela editora Conrad, nos anos 1990.

No site Comics Alliance podem ser vistos diversos rascunhos e artes originais feitos para Strange Tales II.

Título: Strange Tales II
Editora: Marvel Books
Ano de Edição: 2011
144 páginas

domingo, 5 de junho de 2011

Lady Gaga


Cada vez que aparece, Lady Gaga está usando as roupas mais diferentes e extravagantes. Era impossível prever com que modelito ela estaria causando estardalhaço quando esta ilustração fosse publicada pela revista Monet, então optei por algo minimalista, que apenas insinuasse que ela estava vestida. Dei mais destaque às pernas e aos cabelos sempre brancos e compridos. Na mesma semana em que a revista saiu, ela cortou o cabelo curto e pintou metade de preto. Sacanagem.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sticky Fingers, clássico dos Rolling Stones, completou 40 anos



“Sticky Fingers” foi gravado durante a fase mais negra dos Rolling Stones, logo após o falecimento do guitarrista Brian Jones e o desastroso concerto em Altamont, no qual quatro pessoas morreram, uma delas assassinada pelos seguranças do evento. Lançado em 1971, foi o nono álbum de estúdio da banda e o primeiro produzido pelo selo dos próprios Stones, o que lhes garantia maior liberdade criativa. O lançamento provocou polêmica não só pelas citações a drogas que aparecem em várias faixas, mas também pela capa provocativa, concebida por Andy Warhol. Considerada obscena, a foto da capa foi censurada e substituída em alguns países, como a Espanha.

O clima do disco é sombrio, lúgubre. A devastação emocional causada pela vida desregrada, confusões amorosas e consumo exagerado de álcool e drogas é o tema implícito de quase todas as canções. Até a volúpia característica da música dos Stones aqui aparece de forma estranha, mais agressiva que de costume.

A faixa de abertura é “Brown Sugar”, canção de trabalho típica dos Stones, com clima animadinho e um riff de guitarra parecido com dezenas de outros criados por Keith Richards. A letra confusa fala sobre tráfico de escravos e sexo, e está entre as piores já escritas por Mick Jagger, mas a canção possui um refrão grudento e tornou-se o maior hit de “Sticky Fingers”. O disco fica bem mais interessante a partir da terceira faixa, “Wild Horses”, balada de sotaque country, com os violões tocados por Mick Taylor criando uma textura delicada sobre a qual os solos da guitarra de Richards soam tristes e contidos, mas intensamente melódicos. Jagger parece cantar com o coração dilacerado e, para manter o clima depressivo, Charlie Watts toca sua bateria como se mal conseguisse suportar o peso das baquetas.

Como nos dois álbuns anteriores, “Beggars Banquet” e “Let it Bleed”, em “Sticky Fingers” os Stones buscam inspiração principalmente em ritmos tradicionais americanos. “You Gotta Move” é a regravação de um antigo blues, com o violão em primeiro plano tocado com habilidade e sentimento por Richards, e Jagger cantando com uma voz meio caricatural, como se tentasse imitar os velhos cantores do Delta do Mississipi. “I Got the Blues” é uma canção soul ao estilo da tradicional gravadora Stax Records, que tinha entre seus músicos mais famosos o cantor Otis Redding.

“Bitch” abre o lado B (do vinil) com riffs de guitarra marcantes, como os de “Brown Sugar”, mas aqui o clima é mais tenso, a sonoridade é mais despojada e os solos de guitarra e arranjos de metais se encaixam com perfeição. A letra, sobre o esgotamento e a frustração provocados pelo amor é cantada em um tom queixoso e com certa dose de raiva.

“Sister Morphine” é a composição mais sombria deste disco e talvez de toda a carreira dos Stones. A letra escrita por Marianne Faithfull narra a agonia de um viciado em um hospital. A canção começa com alguns acordes tristonhos do violão de Richards, tocados com uma batida seca. Logo entram os vocais, um fiapo de voz de Jagger, que vai crescendo ao longo da música até se tornar um lamento desesperado. Jagger canta sem afetação, sua emoção parece genuína, talvez porque soubesse que aquela pessoa implorando por morfina bem poderia ser ele próprio. Uma slide guitar tocada por Ry Cooder surge ainda na primeira parte da música, mais alta que o violão, com um timbre estranho e escuro. Jack Nitzche também participa da gravação, tocando um piano que soa fantasmagórico. “Sister Morphine” já havia sido lançada em um compacto de Marianne Faithfull em 1969, com alguns dos Stones tocando os instrumentos, mas a versão presente em "Sticky Fingers" é musicalmente superior e bem mais assustadora.

Perto do final do disco o clima fica um pouco mais leve. “Dead Flowers” é um country rock irônico que faz alusão ao uso de heroína e fala de um junkie pobretão que desdenha de uma mulher rica. “Moonlight Mile” encerra o disco de modo inesperado. Começa com uma melodia vagamente oriental tocada no violão por Mick Jagger, enquanto um arranjo de cordas vai se tornando suntuoso e dialoga com os sons delicados de um piano. Jagger fala com cansaço, mas também alívio, sobre voltar pra casa após um dia de trabalho exaustivo. Um final relativamente suave após uma seqüência de canções perturbadoras.


Capa original do disco.

Capa com a qual o disco foi lançado na Espanha.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Jim Woodring


A mais recente novela gráfica do Jim Woodring deve sair em breve, com enredo incompreensível e arte magnífica. As primeiras dez páginas do livro podem ser conferidas no site The Beat.

domingo, 24 de abril de 2011

A reedição de Captain Easy, clássico das HQs de aventura



Wash Tubbs foi provavelmente a primeira história em quadrinhos de aventura publicada nos EUA, em 1924. Captain Easy apareceu como um personagem secundário de Wash Tubbs, em 1929, mas a partir de 1933 ganhou sua própria HQ, Captain Easy: Soldier of Fortune, publicada em jornais aos domingos, em página inteira e colorida. A editora Fantagraphics está relançando as aventuras de Captain Easy em edições luxuosas de capa dura, tamanho grande e com as cores originais.

Roy Crane foi o talentoso criador de Wash Tubbs e Captain Easy. Não foi o inventor dos quadrinhos de aventura – Zé Caipora, do artista ítalo-brasileiro Ângelo Agostini já era publicado em 1883! – mas foi muito influente para o desenvolvimento do gênero nos EUA. Crane criava histórias nas quais aventura, humor e romance apareciam na medida certa. As narrativas eram fluidas, simples e ingênuas, mais voltadas para o público infantil. Certamente eram tão divertidas quanto uma boa matinê de cinema.


Captain Easy é um personagem destemido, durão e cínico. Algumas vezes é capaz de “jogar sujo” para vencer um inimigo, mas certamente possui boa índole. Viaja por diversos países em busca de aventuras. Combate piratas, caça tesouros, conhece belas mulheres e descobre culturas exóticas.

Os desenhos de Crane são claros, simples, arredondados. Combinam perfeitamente com as cores primárias utilizadas na impressão dos jornais da época. Seus personagens eram desenhados de modo mais caricatural que realista, com traço solto e leve, sem muita preocupação com detalhes. Na diagramação, Crane soube explorar o espaço de página inteira das HQs de Captain Easy, alternando quadrinhos horizontais e verticais para conseguir um efeito mais dinâmico. O autor também usava os quadrinhos horizontais para mostrar belas imagens panorâmicas de lutas e perseguições. Um detalhe divertido da arte de Crane são os animais com olhos esbugalhados e expressão cômica que apareciam como figurantes em alguns desenhos.


Como costuma fazer em suas reedições de quadrinhos clássicos, a editora Fantagraphics realizou um ótimo trabalho. O design do volume é simples e elegante, com destaque para a capa feita de vários materiais, como tecido e papelão. Os quadrinhos foram escaneados de jornais antigos e as cores originais foram mantidas, preservando a aparência das primeiras edições. A coletânea é enriquecida por vários textos introdutórios, inclusive alguns parágrafos escritos por Charles Schulz (autor de Peanuts). No final do volume ainda há uma nota explicando o processo de colorização dos antigos quadrinhos de jornais, além de três paginas com artes originais de Crane. Algumas páginas do livro podem ser vistas no site da editora.

Título: Captain Easy – Vol.1 – 1933-1935
Autor: Roy Crane
Ano de Edição: 2010
Editora: Fantagraphics Books
144 páginas

domingo, 17 de abril de 2011

The Kinks!


The Kinks foi uma das melhores bandas de rock dos anos 60. Emboram não sejam muito conhecidos fora da Grã-Bretanha, criaram um punhado de canções fantásticas. Para quem se interessar, escrevi uma matéria sobre eles para o site Ambrosia.

terça-feira, 29 de março de 2011

Ilustração: Martin Scorsese e Leonardo Dicaprio


O diretor Scorsese e o ator Dicaprio trabalharam juntos em filmes como "Gangues de Nova York". Fiz esta ilustração para a revista Monet.