Cada vez que aparece, Lady Gaga está usando as roupas mais diferentes e extravagantes. Era impossível prever com que modelito ela estaria causando estardalhaço quando esta ilustração fosse publicada pela revista Monet, então optei por algo minimalista, que apenas insinuasse que ela estava vestida. Dei mais destaque às pernas e aos cabelos sempre brancos e compridos. Na mesma semana em que a revista saiu, ela cortou o cabelo curto e pintou metade de preto. Sacanagem.
domingo, 5 de junho de 2011
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Sticky Fingers, clássico dos Rolling Stones, completou 40 anos
“Sticky Fingers” foi gravado durante a fase mais negra dos Rolling Stones, logo após o falecimento do guitarrista Brian Jones e o desastroso concerto em Altamont, no qual quatro pessoas morreram, uma delas assassinada pelos seguranças do evento. Lançado em 1971, foi o nono álbum de estúdio da banda e o primeiro produzido pelo selo dos próprios Stones, o que lhes garantia maior liberdade criativa. O lançamento provocou polêmica não só pelas citações a drogas que aparecem em várias faixas, mas também pela capa provocativa, concebida por Andy Warhol. Considerada obscena, a foto da capa foi censurada e substituída em alguns países, como a Espanha.
O clima do disco é sombrio, lúgubre. A devastação emocional causada pela vida desregrada, confusões amorosas e consumo exagerado de álcool e drogas é o tema implícito de quase todas as canções. Até a volúpia característica da música dos Stones aqui aparece de forma estranha, mais agressiva que de costume.
A faixa de abertura é “Brown Sugar”, canção de trabalho típica dos Stones, com clima animadinho e um riff de guitarra parecido com dezenas de outros criados por Keith Richards. A letra confusa fala sobre tráfico de escravos e sexo, e está entre as piores já escritas por Mick Jagger, mas a canção possui um refrão grudento e tornou-se o maior hit de “Sticky Fingers”. O disco fica bem mais interessante a partir da terceira faixa, “Wild Horses”, balada de sotaque country, com os violões tocados por Mick Taylor criando uma textura delicada sobre a qual os solos da guitarra de Richards soam tristes e contidos, mas intensamente melódicos. Jagger parece cantar com o coração dilacerado e, para manter o clima depressivo, Charlie Watts toca sua bateria como se mal conseguisse suportar o peso das baquetas.
Como nos dois álbuns anteriores, “Beggars Banquet” e “Let it Bleed”, em “Sticky Fingers” os Stones buscam inspiração principalmente em ritmos tradicionais americanos. “You Gotta Move” é a regravação de um antigo blues, com o violão em primeiro plano tocado com habilidade e sentimento por Richards, e Jagger cantando com uma voz meio caricatural, como se tentasse imitar os velhos cantores do Delta do Mississipi. “I Got the Blues” é uma canção soul ao estilo da tradicional gravadora Stax Records, que tinha entre seus músicos mais famosos o cantor Otis Redding.
“Bitch” abre o lado B (do vinil) com riffs de guitarra marcantes, como os de “Brown Sugar”, mas aqui o clima é mais tenso, a sonoridade é mais despojada e os solos de guitarra e arranjos de metais se encaixam com perfeição. A letra, sobre o esgotamento e a frustração provocados pelo amor é cantada em um tom queixoso e com certa dose de raiva.
“Sister Morphine” é a composição mais sombria deste disco e talvez de toda a carreira dos Stones. A letra escrita por Marianne Faithfull narra a agonia de um viciado em um hospital. A canção começa com alguns acordes tristonhos do violão de Richards, tocados com uma batida seca. Logo entram os vocais, um fiapo de voz de Jagger, que vai crescendo ao longo da música até se tornar um lamento desesperado. Jagger canta sem afetação, sua emoção parece genuína, talvez porque soubesse que aquela pessoa implorando por morfina bem poderia ser ele próprio. Uma slide guitar tocada por Ry Cooder surge ainda na primeira parte da música, mais alta que o violão, com um timbre estranho e escuro. Jack Nitzche também participa da gravação, tocando um piano que soa fantasmagórico. “Sister Morphine” já havia sido lançada em um compacto de Marianne Faithfull em 1969, com alguns dos Stones tocando os instrumentos, mas a versão presente em "Sticky Fingers" é musicalmente superior e bem mais assustadora.
Perto do final do disco o clima fica um pouco mais leve. “Dead Flowers” é um country rock irônico que faz alusão ao uso de heroína e fala de um junkie pobretão que desdenha de uma mulher rica. “Moonlight Mile” encerra o disco de modo inesperado. Começa com uma melodia vagamente oriental tocada no violão por Mick Jagger, enquanto um arranjo de cordas vai se tornando suntuoso e dialoga com os sons delicados de um piano. Jagger fala com cansaço, mas também alívio, sobre voltar pra casa após um dia de trabalho exaustivo. Um final relativamente suave após uma seqüência de canções perturbadoras.
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| Capa original do disco. |
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| Capa com a qual o disco foi lançado na Espanha. |
terça-feira, 3 de maio de 2011
Jim Woodring
A mais recente novela gráfica do Jim Woodring deve sair em breve, com enredo incompreensível e arte magnífica. As primeiras dez páginas do livro podem ser conferidas no site The Beat.
domingo, 24 de abril de 2011
A reedição de Captain Easy, clássico das HQs de aventura
Wash Tubbs foi provavelmente a primeira história em quadrinhos de aventura publicada nos EUA, em 1924. Captain Easy apareceu como um personagem secundário de Wash Tubbs, em 1929, mas a partir de 1933 ganhou sua própria HQ, Captain Easy: Soldier of Fortune, publicada em jornais aos domingos, em página inteira e colorida. A editora Fantagraphics está relançando as aventuras de Captain Easy em edições luxuosas de capa dura, tamanho grande e com as cores originais.
Roy Crane foi o talentoso criador de Wash Tubbs e Captain Easy. Não foi o inventor dos quadrinhos de aventura – Zé Caipora, do artista ítalo-brasileiro Ângelo Agostini já era publicado em 1883! – mas foi muito influente para o desenvolvimento do gênero nos EUA. Crane criava histórias nas quais aventura, humor e romance apareciam na medida certa. As narrativas eram fluidas, simples e ingênuas, mais voltadas para o público infantil. Certamente eram tão divertidas quanto uma boa matinê de cinema.
Captain Easy é um personagem destemido, durão e cínico. Algumas vezes é capaz de “jogar sujo” para vencer um inimigo, mas certamente possui boa índole. Viaja por diversos países em busca de aventuras. Combate piratas, caça tesouros, conhece belas mulheres e descobre culturas exóticas.
Os desenhos de Crane são claros, simples, arredondados. Combinam perfeitamente com as cores primárias utilizadas na impressão dos jornais da época. Seus personagens eram desenhados de modo mais caricatural que realista, com traço solto e leve, sem muita preocupação com detalhes. Na diagramação, Crane soube explorar o espaço de página inteira das HQs de Captain Easy, alternando quadrinhos horizontais e verticais para conseguir um efeito mais dinâmico. O autor também usava os quadrinhos horizontais para mostrar belas imagens panorâmicas de lutas e perseguições. Um detalhe divertido da arte de Crane são os animais com olhos esbugalhados e expressão cômica que apareciam como figurantes em alguns desenhos.
Como costuma fazer em suas reedições de quadrinhos clássicos, a editora Fantagraphics realizou um ótimo trabalho. O design do volume é simples e elegante, com destaque para a capa feita de vários materiais, como tecido e papelão. Os quadrinhos foram escaneados de jornais antigos e as cores originais foram mantidas, preservando a aparência das primeiras edições. A coletânea é enriquecida por vários textos introdutórios, inclusive alguns parágrafos escritos por Charles Schulz (autor de Peanuts). No final do volume ainda há uma nota explicando o processo de colorização dos antigos quadrinhos de jornais, além de três paginas com artes originais de Crane. Algumas páginas do livro podem ser vistas no site da editora.
Título: Captain Easy – Vol.1 – 1933-1935
Autor: Roy Crane
Ano de Edição: 2010
Editora: Fantagraphics Books
144 páginas
domingo, 17 de abril de 2011
The Kinks!
The Kinks foi uma das melhores bandas de rock dos anos 60. Emboram não sejam muito conhecidos fora da Grã-Bretanha, criaram um punhado de canções fantásticas. Para quem se interessar, escrevi uma matéria sobre eles para o site Ambrosia.
terça-feira, 29 de março de 2011
Ilustração: Martin Scorsese e Leonardo Dicaprio
O diretor Scorsese e o ator Dicaprio trabalharam juntos em filmes como "Gangues de Nova York". Fiz esta ilustração para a revista Monet.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Uma brilhante reedição de Príncipe Valente
Prince Valiant é um jovem príncipe medieval. Sua epopéia tem início em um reino pantanoso no norte da Europa. Entre uma aventura e outra, ele viaja para terras distantes, combate invasores hunos e saxões, e se torna cavaleiro do lendário Rei Arthur. Conhecido no Brasil como Príncipe Valente, ou simplesmente Val, o personagem foi criado por Harold Foster em 1937 para protagonizar histórias em quadrinhos publicadas em jornais. Logo se tornou um clássico e teve sua saga transformada em filmes e animações. Prince Valiant – Vol.2 foi lançado nos EUA em 2010, e reúne histórias originalmente publicadas entre 1939 e 1940.
Antes de começar a fazer quadrinhos, Foster trabalhou como ilustrador e estudou na Academia de Artes de Chicago. Sua formação acadêmica, somada à experiência no ramo de ilustrações, contribuiu para que seus desenhos adquirissem um estilo sóbrio e detalhista. Seus traços finos possuem uma precisão fotográfica e seu bom gosto para combinação de cores compensava a limitada palheta disponível para os quadrinhos de jornais da época.
As histórias reunidas em Prince Valiant – Vol.2 mostram uma arte madura. As imagens de batalha são as que mais chamam a atenção, pelo dinamismo e riqueza de detalhes. O autor fazia uma exaustiva pesquisa iconográfica para que as armas e roupas de seus personagens fossem verossimilhantes. Alguns quadros de Prince Valiant também se destacam pelo modo cuidadoso e complexo como o autor retrata a paisagem, dando a certas cenas uma acentuada sensação de profundidade, incomum nas histórias em quadrinhos.
No quadro abaixo fica evidente por que a arte de Foster é tão cultuada. Um grupo de guerreiros hunos está tentando invadir um castelo defendido por Val e mais alguns soldados. A batalha é minuciosamente retratada, desde a grande variedade de armas até as técnicas de combate. Nos rostos dos invasores vemos expressões de ódio e medo, enquanto Val e seus companheiros parecem calmos, confiantes – alguns até sorriem. Mas o detalhe de uma flecha prestes a atingir a perna de um desses soldados, no canto inferior da imagem, é um aviso discreto de que a batalha não será tão fácil.
A opção por não usar balões de texto contribui para criar um ritmo de leitura mais lento – adequado para que o leitor possa observar os detalhes de cada quadrinho. É um estilo narrativo que exige certo esforço de quem lê.
Os personagens criados por Foster não são muito originais – príncipes heróicos, bruxas, malandros simpáticos, reis cruéis – mas os enredos são bem construídos, com muitas reviravoltas e suspense. Aventuras e batalhas preenchem a maior parte das narrativas, mas são os episódios de humor que parecem ter resistido melhor ao tempo, como a passagem em que Val executa um arriscado plano apenas para roubar as roupas de um inimigo. Para temperar as histórias, o autor também usa um pouco de drama e romance.
As HQs do Príncipe Valente são constantemente reeditadas no mundo todo, mas esta coleção iniciada em 2009, pela editora Fantagraphics, é especial pela preocupação em restaurar a obra de Foster com o máximo de fidelidade. A arte original foi respeitada e cuidadosamente reconstituída a partir das provas de impressão originais, além de outras fontes de alta qualidade. A publicação em cores, com capa dura e papel opaco é luxuosa na medida exata. É uma edição definitiva e uma homenagem justa à arte de Harold Foster.
Título: Prince Valiant – Vol.2 – 1939-1940
Autor: Harold Foster
Ano de Edição: 2010
Editora: Fantagraphics Books
112 páginas
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