sexta-feira, 30 de abril de 2010

Fantagraphics publica clássico dos quadrinhos franceses


Título: You Are There
Autores: Jean-Claude Forest e Jacques Tardi
Editora: Fantagraphics Books
Ano de Edição: 2009
192 páginas

A editora Fantagraphics está lançando no mercado norte-americano algumas das principais obras do quadrinista francês Jacques Tardi, cuja carreira profissional começou em fins dos anos 60, na revista Pilote. Artista versátil e prolífico, Tardi, além de desenhar suas próprias histórias, adaptou romances e enredos de diversos outros autores.

You Are There foi originalmente publicado na França em capítulos, a partir de 1978. O roteiro é de Jean-Claude Forest, criador da personagem Barbarella (mais conhecida por sua versão cinematográfica, na pele de Jane Fonda). Na trama kafkiana, There, o personagem principal, é proibido pela lei de pisar nas terras que foram de sua família, sendo-lhe permitido somente andar sobre os muros que dividem os lotes dos atuais proprietários.

Mesmo sendo infernizado pelos inescrupulosos proprietários, There não abandona a antiga propriedade de seus antepassados. Vive em uma minúscula casa construída sobre um muro, enquanto, com a ajuda de seus advogados, tenta reaver as terras. Um estranho marinheiro e uma garota ninfomaníaca estão entre as poucas pessoas que tentam interagir com o personagem principal.

Apesar de um começo meio lento a história cresce nos desfechos absurdos dos últimos capítulos, e o roteiro de Forest funciona como uma crítica bem-humorada ao exagerado apego das pessoas às coisas materiais. Jacques Tardi desenha de modo realista objetos e cenários, enquanto retrata os personagens de modo caricatural e divertido. Esta combinação de caricatura e realismo, apesar de não ser nada inovadora, é executada com muito talento por Tardi.

Algumas páginas do livro podem ser baixadas através do site da Fantagraphics.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A.L.I.E.E.E.N.

Título: A.L.I.E.E.E.N.
Autor: Lewis Trondheim
Editora: First Second
Ano de Edição: 2006
96 páginas

Lewis Trondheim é um dos mais prolíficos e premiados quadrinistas franceses. Desde fins dos anos 80 vem publicando HQs dos mais diferentes gêneros: autobiográficas, infantis, de aventura e ficção científica, entre outras. Uma de suas HQs mais conhecidas, La Mouche, ganhou uma versão em desenho animado nos anos 90.


A.L.I.E.E.E.N. é uma de suas melhores e mais inventivas HQs. No prefácio Trondheim brinca com o leitor, negando ser o autor da HQ. A.L.I.E.E.E.N. seria um gibi alienígena que o quadrinista francês teria encontrado durante um passeio com a família por um bosque. Os diálogos da história são todos em uma língua incompreensível, supostamente alienígena, claro. Mas não é necessário entender os diálogos para compreender a história e se divertir com as desventuras dos estranhos personagens. A arte bastante colorida e quase infantil contrasta com a violência, humor negro e escatologia presentes em quase todas as páginas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Solidão e minimalismo na premiada HQ Dogs and Water

Título: Dogs & Water
Autor: Anders Nilsen
Editora: Drawn & Quartely
Ano de Edição: 2007
96 páginas

Após algumas HQs lançadas e trabalhos publicados em várias coletâneas como Kramers Ergot e Mome, o americano Anders Nilsen recebeu o prêmio Ignatz em 2005, pela graphic novel Dogs & Water, que em 2007 foi relançada com algumas páginas a mais, em edição de capa dura.
Dogs & Water colocou Nilsen entre os melhores autores da nova geração de quadrinistas americanos, com seu estilo único, minimalista, belo e amargo. Nesta HQ vemos um jovem caminhando sozinho e sem rumo por uma estrada deserta. Não sabemos seu nome, seu destino e tampouco o motivo de sua jornada. Não sabemos em que época ou país ele se encontra. Carrega consigo uma mochila e um urso de pelúcia. Em seu caminho além de cães selvagens que se alimentam de cadáveres, encontra alguns seres humanos que parecem tão deslocados quanto ele próprio. Logo descobre que os cães selvagens podem ser melhor companhia que os seres humanos.
O branco domina as páginas, os traços dos desenhos são leves e simples, e todas as imagens transmitem uma pungente sensação de solidão.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Clássico Príncipe Valente em cores!

Título: Prince Valiant – Vol.1 – 1937-1938
Autor: Harold Foster
Ano de Edição: 2009
Editora: Fantagraphics Books
120 páginas

A editora Fantagraphics está relançando nos Estados Unidos o clássico Prince Valiant, de Harold Foster, em luxuosa edição colorida e com capa dura. Segundo os editores, de todas as versões já publicadas em diversos países, esta é edição mais fiel à original, por ter sido feita a partir das provas de impressão originais e outras fontes de alta qualidade. Prince Valiant inicialmente era publicado apenas nas páginas dominicais dos jornais, sempre em cores.



Neste primeiro volume estão reunidas as primeiras HQs do personagem, publicadas de 1937 a 1938. É interessante ver a rápida evolução da diagramação e dos desenhos, um pouco contidos e esquemáticos no início, mas logo se tornando extremamente detalhados e expressivos. Nos enredos prevalecia a aventura, mas também havia espaço para humor, romance e tragédia. Rei Arthur e seus cavaleiros, o mago Merlin, Morgana, bruxas e vikings contracenam com Prince Valiant, ou Príncipe Valente, como ficou conhecido por aqui.


No Brasil, as aventuras do príncipe de Foster foram publicadas em edições de luxo com capa dura por várias editoras, como a EBAL (veja detalhe abaixo, à esquerda), mas sempre em preto e branco. As edições nacionais tinham ótima qualidade, e permitiam ver com maior clareza os detalhes dos desenhos, mas as cores recuperadas na nova edição americana acrescentam vibração e vivacidade aos quadrinhos (detalhe abaixo, à direita).








sábado, 20 de março de 2010

Skin Deep, de Charles Burns


Autor: Charles Burns
Editora: Fantagraphics
Ano de Edição: 2009
96 páginas

Skin Deep é o nome da coletânea que reúne três HQs publicadas por Charles Burns entre os anos de 1988 e 1992, em vários periódicos, como a revista RAW.


As histórias mostram Burns numa fase intermediária entre seus trabalhos mais antigos e despretensiosos, como El Borbah, e sua obra prima Black Hole. Na arte predominam as sombras negras e deformações físicas características das obras mais recentes do autor. Os enredos são uma bizarra e surreal mistura de horror e romance. As influências mais evidentes são os quadrinhos de romance dos anos 40 e 50, e os gibis de crime e terror da editora EC, muito populares na primeira metade dos anos 50.


Esta coletânea já havia sido lançada em formatos diferentes pela editora Penguin Books (1992) e pela própria Fantagraphics (2001, em capa dura).

quinta-feira, 4 de março de 2010

Chip Kidd e Peanuts


Autor: Charles M. Schulz (HQs) e Chip Kidd (design e comentários)
Editora: Pantheon
Ano de Edição: 2001
336 páginas

Agora que todas as HQs de Peanuts estão sendo lançadas pela editora americana Fantagraphics, e no Brasil pela L&PM, o livro Peanuts: The Art of Charles M. Schulz pode parecer obsoleto. Mas ao contrário, esta obra serve como um ótimo complemento às coletâneas de tiras. O designer Chip Kidd, ao invés de simplesmente escanear os originais, optou por fotografá-los. Fotografou também a coleção do quadrinista Chris Ware, composta de tiras recortadas de jornais, gibis coloridos e brinquedos da turma de Charlie Brown.


O efeito é visualmente impressionante: em algumas páginas, detalhes das HQs são ampliados até ficarem visíveis os pontos que, combinados, formam cada cor; em outras partes do livro dezenas de velhas tiras recortadas e coladas com fita adesiva aparecem reduzidas, no limite da legibilidade.


O livro também mostra alguns cartuns de Lil’ Folks, trabalho mais antigo de Schulz e no qual podemos ver esboçados vários personagens que depois apareceriam em Peanuts.


Os textos de Kidd comentam a criação e evolução de cada personagem da tira, além de apontar várias curiosidades. Mas o que talvez mais emocione os fãs é a possibilidade de comparar os rascunhos feitos a lápis por Schulz: com traço firme no início da carreira, e tempos depois, pouco antes de sua morte, com linhas tremidas e fracas, provando que mesmo com a saúde muito debilitada o autor não abandonou os personagens adorados por milhares de leitores.



Quem quiser conhecer melhor o trabalho de Chip Kidd, que já trabalhou com Alex Ross e Art Spiegelman, pode assistir a uma ótima palestra feita pelo designer em 2006 no link abaixo:
http://channel.walkerart.org/play/chip-kidd/

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

The Best American Comics 2009, Editado por Charles Burns


Autores: Vários
Editor: Charles Burns
Ano de Edição: 2009
Editora: Houghton Mifflin Harcourt
352 páginas

O título deste livro pode provocar alguma confusão: The Best American Comics 2009 na verdade reúne quadrinhos publicados nos Estados Unidos entre Setembro de 2007 e Agosto de 2008. É parte de uma série de coletâneas anuais iniciada em 2006, e que já teve como editores Harvey Pekar e Chris Ware. O editor desta edição é Charles Burns, autor de Black Hole. Ele fez a seleção final das histórias, e o resultado foi bem mais equilibrado que nas edições anteriores. O leitor não encontrará nada de revolucionário, mas também não ficará decepcionado.

Alguns autores veteranos mostram que ainda estão em grande forma: Peter Bagge, Kaz, Robert Crumb e Art Spiegelman. Outros, que se destacaram recentemente, como Chris Ware, Daniel Clowes e Adrian Tomine, demonstram uma evolução constante. Tomine cada vez mais se aproxima da literatura americana moderna, com os finais abruptos e surpreendentes de suas HQs.


Mas os grandes destaques desta coletânea são dois autores novos e pouco conhecidos. Sammy Harkham e Andrés Nilsen.

Num trecho da HQ Black Death de Harkham, acompanhamos um Golem, um maluco e um sujeito varado por flechas vagando sem rumo por uma floresta. A arte simples e leve contrasta deliciosamente com a história sombria.



Já no excerto da HQ de Nilsen são os pássaros que falam e comentam as ações sem sentido de dois sujeitos num cenário devastado por um acidente aéreo. Os traços são finos e elegantes, combinados com texturas criadas por superfícies pontilhadas.


Super-heróis e outros personagens de grandes editoras ficaram de fora. A maior qualidade desta coletânea, afinal, é apresentar autores mais ou menos obscuros a um grupo mais amplo de leitores.