Charles Burns é conhecido pelos seus desenhos de alto contraste, inspirados em antigos quadrinhos e filmes de terror e ficção científica. Algumas capas criadas pelo artista para Black Hole vão além, combinando o contraste entre preto e branco com cores fortes, em imagens oníricas, nas quais o terror é apenas sugerido. Black Hole é uma premiada HQ escrita e desenhada por Burns, e originalmente publicada pela Fantagraphics Books entre 1993 e 2004. É mais conhecida pelas edições encadernadas lançadas nos EUA pela Pantheon Books, e no Brasil pela Editora Conrad, que não trazem as capas originais.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
As melhores HQs publicadas em 2010 nos EUA – Alternativas e clássicas
(Originalmente postada no site ambrosia.com.br)
Nos EUA, autores de quadrinhos são cada vez mais respeitados como artistas e intelectuais. Este status ficou claro em 2010 quando ilustrações de Chris Ware e Robert Crumb, rejeitadas por importantes publicações norte-americanas, tiveram imensa repercussão no meio cultural. Ware zombou dos milionários em uma divertidíssima arte para a capa da revista de negócios Fortune, na qual os ricos dançam no topo de um edifício enquanto o resto da população sofre os efeitos da crise financeira. A capa de Crumb para a revista The New Yorker parece ter sido recusada apenas por mostrar um casamento homossexual. Crumb não divulgou sua ilustração, mas a de Ware apareceu em vários sites. Nos dois casos ficou claro que o autor de quadrinhos não é necessariamente um criador de desenhos decorativos. Muitas vezes ele tem uma visão do mundo aguçada a ponto de abalar os responsáveis por publicações sólidas e de renome.
Abaixo estão algumas das melhores HQs publicadas em 2010 nos EUA, incluindo obras de Chris Ware e Robert Crumb (sem ordem de preferência):
The Best American Comics 2010 - Vários autores - Neil Gaiman (editor)
Gaiman, autor da cultuada série Sandman, selecionou algumas das melhores HQs norte-americanas publicadas entre Setembro de 2008 e Agosto de 2009. Genesis de Crumb, Asterios Polyp de Mazzucchelli e Scott Pilgrim vs. The Universe estão entre as obras mais conhecidas desta coletânea e foram publicadas no Brasil. As surpresas ficam por conta de histórias menos conhecidas, como Acme Novelty Library 19, de Chris Ware, e a sombria The Lagoon, de Lili Carré.
Love and Rockets New Stories n.3 - Gilbert Hernandez e Jaime Hernandez
Gilbert exagerou na dose de sexo e violência, mas Jaime criou uma de suas melhores HQs. Abuso infantil, traumas e relações familiares dilacerantes são mostrados em um arco de três histórias, nas quais o tom narrativo salta do cômico ao trágico em poucos quadrinhos.
Strange Tales - Vários autores
Os heróis da Marvel revistos por autores de quadrinhos independentes. Os destaques são as hilárias aventuras criadas por Peter Bagge para Homem-Aranha e Hulk. Paul Pope (Batman: Ano100), Jason (The Living and the Dead), Dash Shaw (Umbigo sem Fundo) e Tony Millionaire (Maakies) também contribuem com ótimos trabalhos.
Wilson - Daniel Clowes
Novela gráfica composta por setenta HQs de uma página que podem ser lidas separadamente, mas que juntas formam um retrato do personagem que dá nome à obra. Wilson é um sujeito arrogante, egoísta, solitário, que aborda desconhecidos com perguntas sobre suas vidas pessoais apenas para zombar das respostas. Clowes explora novos estilos narrativos e se consolida como um dos melhores autores de quadrinhos contemporâneos.
It Was the War of the Trenches - Jaques Tardi
The Extraordinary Adventures of Adele Blanc-Sec (Vol. 1) - Jacques Tardi
O francês Tardi é um artista versátil, narrador cuidadoso de fatos históricos e imaginários. As linhas claras e leves de seus desenhos remetem ao estilo de outro francês, o cultuado Moebius. Suas principais obras estão sendo relançadas nos EUA pela editora Fantagraphics.
Prince Valiant: 1939-1940 (Vol. 2) - Hal Foster
Reedição primorosa das aventuras do Príncipe Valente, com as magníficas cores originais. Mais que qualquer lançamento individual, o que se destacou no mercado norte-americano de quadrinhos em 2010 foi a consolidação de um padrão rigoroso de qualidade gráfica. Este padrão é bem visível nas reedições de HQs clássicas e tem como item fundamental a reprodução fiel da arte original dos quadrinhos, inclusive as cores, mesmo que com algumas manchas e imperfeições. O respeito com as antigas narrativas gráficas não partiu das editoras, mas sim de uma nova geração de leitores cada vez mais exigentes e conscientes do valor cultural das HQs.
Thirteen Going on Eighteen - John Stanley
Melvin Monster 2 - John Stanley
Acme Novelty Library 20 - Crhis Ware
Um personagem extremamente complexo, exposto de modo impiedoso e contundente. A arte de Ware continua clara e geométrica, mas a técnica narrativa está mais ousada, explorando os limites da fragmentação dos quadrinhos e mudanças drásticas de estilo gráfico.
X´ed Out - Charles Burns
Nesta primeira parte da mais recente novela gráfica de Burns, um rapaz vaga entre delírios, lembranças e raros momentos de lucidez. Alguns leitores reclamaram que Burns não deu muita atenção ao roteiro. Vale ao menos pela alta qualidade gráfica e as referências às clássicas HQs do Tintin.
The Horror! The Horror! Comic Books the Government Didn´t Want You to Read - Vários autores - Jim Trombetta (editor)
Acusados de incitarem a violência, os quadrinhos de horror foram praticamente banidos das bancas norte-americanas na segunda metade dos anos 1950. Esta coletânea é uma ótima introdução ao gênero, com reproduções de histórias e capas originais.
The Littlest Pirate King - Pierre Mac Orlan, David B.
Acostumados a conviver com monstros marinhos, pilhar navios e assassinar marinheiros, um grupo de assustadores piratas mortos-vivos tem sua rotina radicalmente transformada quando se vêem obrigados a cuidar de uma criança. David B., autor da HQ autobiográfica Epilético, usa sua arte bela e sombria para adaptar um divertido texto de Orlan.
Footnotes in Gaza : A Graphic Novel - Joe Sacco
Exemplo primoroso de jornalismo em quadrinhos. Foi lançado no Brasil com o título Notas sobre Gaza, pela editora Companhia de Letras.
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domingo, 5 de dezembro de 2010
Monstros, fantasmas e pragas adolescentes em Big Baby, de Charles Burns
Tony Delmonto, também conhecido como Big Baby, poderia ser um típico garoto norte-americano, se não fosse por seu rosto de bebê e por estar sempre topando com monstros, pragas adolescentes e fantasmas de meninos mortos. Tony, como muitos garotos de sua idade, é extremamente imaginativo, tem um melhor amigo e adora HQs e filmes de terror e ficção científica.
A coletânea Big Baby reúne cinco HQs protagonizadas pelo personagem criado por Charles Burns e publicadas entre 1983 e 1999. Nas duas HQs mais antigas Burns ainda desenha os personagens de modo um pouco caricatural e cômico. Mas a partir de Teen Plague, a terceira história do livro, vemos a arte extraordinária e inconfundível que ficaria bem conhecida na novela gráfica Black Hole. Uma arte precisa e sombria, mesmo nas cenas diurnas. Tudo que Burns desenha parece moldado a partir da mesma matéria negra e brilhante. Se Jaime Hernandez é perfeito no equilíbrio entre branco e preto nos quadrinhos, Burns é mestre no domínio opressivo das sombras negras sobre o branco.
Teen Plague parece um ensaio para Black Hole. Também trata de uma doença transmitida entre adolescentes, causando alterações físicas e alucinações. A imaginação de Tony Delmonto nunca para de trabalhar: o garoto acredita que uma praga está se espalhando quando vê um chupão no pescoço de uma garota. Por coincidência, Tony está lendo uma HQ em que invasores do espaço contaminam os humanos, deixando uma marca semelhante. A ironia é que realmente existe uma praga se espalhando, embora nada tenha a ver com ETs ou chupões. Burns consegue equilibrar horror e humor de modo refinado, e ainda homenageia os quadrinhos violentos publicados pela EC Comics nos anos 1950.
O clima de horror se insinua desde o início das narrativas, mas o autor sabe a hora exata de surpreender o leitor. A violência é usada de modo ponderado, ao contrário da maioria das HQs e filmes do gênero.
Graças a obras como Skin Deep, Big Baby e Black Hole, Charles Burns já pode ser considerado um dos principais autores de quadrinhos de horror de todos os tempos.
Autor: Charles Burns
Editora: Fantagraphics Books
Ano de edição: 2007
96 páginas
sábado, 20 de março de 2010
Skin Deep, de Charles Burns

Autor: Charles Burns
Editora: Fantagraphics
Ano de Edição: 2009
96 páginas
Skin Deep é o nome da coletânea que reúne três HQs publicadas por Charles Burns entre os anos de 1988 e 1992, em vários periódicos, como a revista RAW.
Editora: Fantagraphics
Ano de Edição: 2009
96 páginas
Skin Deep é o nome da coletânea que reúne três HQs publicadas por Charles Burns entre os anos de 1988 e 1992, em vários periódicos, como a revista RAW.

As histórias mostram Burns numa fase intermediária entre seus trabalhos mais antigos e despretensiosos, como El Borbah, e sua obra prima Black Hole. Na arte predominam as sombras negras e deformações físicas características das obras mais recentes do autor. Os enredos são uma bizarra e surreal mistura de horror e romance. As influências mais evidentes são os quadrinhos de romance dos anos 40 e 50, e os gibis de crime e terror da editora EC, muito populares na primeira metade dos anos 50.
Esta coletânea já havia sido lançada em formatos diferentes pela editora Penguin Books (1992) e pela própria Fantagraphics (2001, em capa dura).
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
The Best American Comics 2009, Editado por Charles Burns
Autores: Vários
Editor: Charles Burns
Ano de Edição: 2009
Editora: Houghton Mifflin Harcourt
352 páginas
O título deste livro pode provocar alguma confusão: The Best American Comics 2009 na verdade reúne quadrinhos publicados nos Estados Unidos entre Setembro de 2007 e Agosto de 2008. É parte de uma série de coletâneas anuais iniciada em 2006, e que já teve como editores Harvey Pekar e Chris Ware. O editor desta edição é Charles Burns, autor de Black Hole. Ele fez a seleção final das histórias, e o resultado foi bem mais equilibrado que nas edições anteriores. O leitor não encontrará nada de revolucionário, mas também não ficará decepcionado.
Alguns autores veteranos mostram que ainda estão em grande forma: Peter Bagge, Kaz, Robert Crumb e Art Spiegelman. Outros, que se destacaram recentemente, como Chris Ware, Daniel Clowes e Adrian Tomine, demonstram uma evolução constante. Tomine cada vez mais se aproxima da literatura americana moderna, com os finais abruptos e surpreendentes de suas HQs.

Mas os grandes destaques desta coletânea são dois autores novos e pouco conhecidos. Sammy Harkham e Andrés Nilsen.
Num trecho da HQ Black Death de Harkham, acompanhamos um Golem, um maluco e um sujeito varado por flechas vagando sem rumo por uma floresta. A arte simples e leve contrasta deliciosamente com a história sombria.

Já no excerto da HQ de Nilsen são os pássaros que falam e comentam as ações sem sentido de dois sujeitos num cenário devastado por um acidente aéreo. Os traços são finos e elegantes, combinados com texturas criadas por superfícies pontilhadas.

Super-heróis e outros personagens de grandes editoras ficaram de fora. A maior qualidade desta coletânea, afinal, é apresentar autores mais ou menos obscuros a um grupo mais amplo de leitores.
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